2 - Perfil - Jean Katumba Mulondayi



 O Sonhador vem de longe !

"Minha infância foi boa. Nasci em uma boa família, muito inteligente, uma ótima cultura, muita religiosa e que acredita em Deus e tinham uma estrutura boa, que era de me formar na escola, faculdade e seguir os conselhos dos meu pais. Saber respeitar o ser humano, saber respeitar a diversidade, e por causa de vários conflitos políticos em meus país me colocaram para fora, e agora estou aqui no Brasil, militando, lutando por uma causa nobre, uma causa de lutar contra o preconceito e de mostra que as pessoas tem que acreditar nas diversidades, porque na natureza tudo é diverso"


"Não houve ninguém, na verdade na vida não existe pessoas para ajudar os outros. Eu não consegui ajuda dos brasileiros nem para me dar uma mão. Eu agradeço a algumas instituições que me possibilitaram documentos, moradia, alimento, mas não são pessoas e sim entidades. Eles estavam obrigados a cumprir com o seu papel, agora pessoas, ninguém. Só Deus quer ajudar o ser humano"


"Minha chegada foi muito difícil, por causa de não falar a língua portuguesa e eu tinha que me virar. Achei que o Brasil falava Inglês, mas me enganei. Fiquei um pouco perdido devido à cultura brasileira, e à cultura de acolhimento naquela época não era das melhores, devido ao poder publico que não participava muito da chegada dos refugiados. A cultura do brasileiro não tem nada parecido lá, mesmo que haja traços da cultura africana. Na África nós não vemos esse tipo de cultura, ai fica um pouco perdido, pois como a África tem 55 países nós temos que ver de onde é: Angola, Congo etc... A cultura brasileira para mim é uma mistura de várias culturas."


"A visão do Brasil me surpreendeu. Não pensava que o Brasil era assim, eu estou muito feliz de ganhar essa experiência, porque é muito profundo e nunca mais eu vou acha-la em qualquer outro lugar"


"Foi de ter voz e de ter uma personalidade digna de fala, você vai pegar um doutor que estuda refúgio para falar. Ai você coloca ele para falar coisa que não se encaixa com a pele dele, será que alguém pode falar melhor de você do que você mesmo? Claro que não. A gente tem boca, tem história, a gente pode falar de nós e também quer ter uma voz, alguém que saiba na pele o que é refugio e já passou por isso, e não quem estudou no papel. Porque ele tem experiência na sala de aula e não na pratica"


"Sim, tenho contato a gente conversa com quem nós temos contato, eu pergunto como está lá, ele fazem as mesmas perguntas, converso com meus amigos também, mas agora nesse momento minha família está aqui no Brasil. Se eu estou doente o Abdou me leva para o hospital, não sou mais um solitário, sou parte de uma família"

"Não ainda não fui visitar o Congo, não me sinto preparado"

"Sim, o governo inteiro está como o mandato vencido desde 2016. Estão lá pela força, não querem eleições. Barraram qualquer tipo de candidatura para quem se opõem a eles, se você for lá tentar tira-los ele te matam"

"Primeiro, a documentação. O Brasil é muito democrático, a segunda foi acreditar nas nossas diferenças, diversidades e tentar colocar dentro da nossa organização. Nossa cultura reage no nosso sentimento e só que quem já sabe o que passa, cada nacionalidade tem o seu jeito, não é fácil, mas é preciso entender que todos nós somos diferentes"

" Eu sou uma pessoa sonhadora. Estou aqui no Brasil me amadurecendo, e pensando no dia em que eu não estiver mais. A ONG continuará funcionando porque ela não é minha, e sim um entidade para ajudar pessoas como eu, e não tenho dúvida de que vai crescer ainda mais sem mim (risos). Eu tenho hoje um lado mais político. Sai do Congo sem ser político, mas voltarei sendo. Meu sonho é voltar e levar tudo de bom que eu aprendi e reerguer o meu país."

"A ideia da ONG veio antes da Copa, mas a Copa que fez a ONG ser possível. A Copa, porque o futebol é universal, o futebol é dia a dia, o futebol une classes".

Texto: Victor Miceli
Entrevistador: Darques Junior
Fonte: Henrique Pierri

Já viu o primeiro Perfil?
Ainda não, está imperdível veja: http://fampirefugiados.blogspot.com.br/2017/11/1-perfil-luiza-pereira.html

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