3 - Testemunhal - Jean Katumba Mulondayi






Jean Katumba Mulondayi
Refugiado
Nascido no Congo
Chegou ao Brasil em 22 de Junho de 2013
Formado em Engenharia Civil
Presidente da ONG (África do Coração)

- Não sou político, mas sou ativista, e foi isso que me trouxe para cá, como meu país ainda é um regime ditatorial e escravagista.

- A ONG tem o objetivo, de divulgar, informar a auxiliar em tudo, para que o Refugiado e o morador daquele país saiba o porquê de estar vindo para cá.

- O objetivo dessas palestras é tentar explicar para as pessoas que não estamos aqui porque queremos e sim porque precisamos; nossas vidas foram cortadas, tínhamos um bom emprego, tínhamos família, não éramos ricos, mas conseguíamos viver sem grandes dificuldades.

- Os refugiados desses países quase sempre fogem, vitimas de perseguição, como foi o meu caso.

- Não sei quando volto para o Congo.

- Há dois tipos de imigração: a forçada, quando você é obrigado a sair do seu país por alguém motivo, ou voluntária, quando você sai por vontade própria e por suas escolhas.

- A gente sabe que há negros no Brasil, mas imagina um negro que não fala o seu idioma, é muito pior.

- O lema da nossa ONG é “Dar voz, àquele que não possui voz"
- Um dos problemas do Refúgio, no Brasil, é que aqui eles te dão um papel e fica por sua conta; o sistema de refúgio lá fora é diferente, pois você tem um acompanhamento.

- O Brasil possui um idioma próprio que não é universal, pelo menos na África, então para nós é ainda mais complicado, porque sem idioma como você se comunica? Eu sempre digo, “O idioma é a sua identidade", mas saber outros é se tornar acolhedor.

- Dos 55 países na África, só cinco falam Português, então eu aprendi aqui no dia-a-dia.

- Eu imaginava, quando cheguei aqui, que era como a América do Norte, ou seja, todos falavam inglês, mas me enganei, são poucos.

- Nós precisamos sair das nossas bandeiras, por exemplo, se eu coloco um brasileiro e um colombiano lado a lado, eles são iguais. Agora se você usar as suas respectivas bandeiras, ai somos totalmente diferentes.

- Eu escuto todo o dia, às vezes até de forma mais agressiva, por que escolheram o Brasil? Não tem outro lugar? A gente não tem o direito de escolher, porque se tivéssemos, ficaríamos no nosso país. Fomos obrigados a ir embora para salvar nossas vidas.

- Outra pergunta que eu escuto muito, “só estão vindo para cá para fugir da pobreza e não morrer de fome”. Muitos refugiados em seus respectivos países são ricos, e não há pessoas morrendo de fome em São Paulo ou no Rio de Janeiro? 

- Eu vou pegar avião que não é de graça, para vir até aqui para fugir de fome? Claro que não.

- Nós da ONG, acreditamos que as pessoas não falam isso por maldade e sim por desconhecimento, porque sempre entra no campo do eu acho, mas é melhor conversar que acusar; chama o cara e pergunta para ele, ele irá te responder, com esse ato vai acabar com o preconceito e com a discriminação.

- Vocês sabem que existe guerra na Síria? Correto, mas vocês sabiam que existe guerra no Congo? Ninguém sabe essa que é a dificuldade, será que macacos estão morrendo lá.

- Se morrer duas pessoas na França todo mundo fica sentido, agora se morrer duas no Congo ninguém liga.  



- Já viu a entrevista com o pesquisador Gustavo Fernandes? Ainda não , então não perca.
 
- Também temos o primeiro testemunhal de Suzanne Tcham, Link:http://fampirefugiados.blogspot.com.br/2017/11/1-testemunhal-suzanne-tcham.html 

Texto: Victor Miceli
Edição: Darques Junior
Entrevistador: Henrique Pierri

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