3 - Perfil - Abdulbased Jarour

 Abdulbased Jarour, vice-presidente da ONG (África do Coração)

“Primeiramente eu vim de uma família de cinco irmãs e um irmão, ou seja, sete filhos. La na Síria a cultura é totalmente diferente da cultura brasileira. Mas acredito que a infância de toda criança é parecida e eu desde pequeno, seja no jardim de infância ou escola, sempre tive um espirito de liderar. Outra diferença na vida da criança é a educação dos pais. É o principal e que a gente vai usar como um sistema na vida. Se você não tem a educação dada pelos pais e dentro de casa, vais ser muito complicado do a sua vida dentro".

"Eu nasci em 1 de março de 1990, em Alepo a cidade mais antiga do mundo, estuda administração, minha família tem uma empresa de construtora, tinha uma vida boa. Alepo igual a São Paulo no Brasil, cidade financeira".

"Minha vida era tranquila, estudava, trabalha na minha empresa que vende Notebooks, Celulares e Acessórios. Ai em 2010 eu fui obrigado a servir no exercito militar, fui para Damasco (capital da Síria). Em 2011 foi quando começou a guerra na Síria, a guerra está  no seu sexto ano. Em 2014 sai do exército de Damasco e fui para o Líbano, "Em busca de um milagre e depois com quando sofrimento". Como havia falado minha vida na Síria tranquilo. Nós temos um regime "ditatorial", família Al-Saad, é o único partido que existe lá, não tem liberdade politica, na verdade não á qualquer tipo de liberdade, se você for contra o governo é preso ou morto. Em dia 5 de maio de 2013 machuquei o meu corpo em uma ataque de bombas em Damasco, morreu meus amigos. Em 2014 Fuji para o Líbano, país muito pequeno comparado com a Síria”.

“Na Síria suportava um grande números de refugiado, no Líbano infelizmente não dava, então tive que procurar refugio em outro lugar. Eu fui a dois consulados, Austrália e Brasil, ficava me perguntado “Será que algum desses países vão me dar esse visto”?". O Brasil me entrevistou, e me deu "refugio", por 90 dias como turista, na época ele falaram para mim "Se você quiser refugio, vá a policia federal". Ai comprei passagem de ida e volta, cheguei aqui em 8 de fevereiro de 2014, cheguei sozinho não conhece ninguém, não fala português e não tem ideia do Brasil, a única coisa que eu sabia, era da natureza por ser muito bonita, samba, futebol e café. Cheguei em uma época muito chique Copa do Mundo, entrei no jogo Croácia X Brasil, postei no face ai meus amigos  "Olha que chique, está no Brasil".

"Fiz minha primeira entrevista, acho que foi no SBT ou Globo lá na Arena em Itaquera, depois fiquei pensando aonde vou, fui para vária cidade e lugares, Campinas, Zona Leste, Zona Norte, Paulista e etc... Fiquei louco pensando Brasil selva, pensei que o país não havia tanta tecnologia, seis/sete meses depois, pensei “Olha o que eu vou fazer, não tenho para onde ir, tenho pouco dinheiro”. Á única coisa que eu preciso fazer é aprender português ou sai do Brasil. Forcei minha cabeça, aprendi sozinho e em oito meses já falava sem grandes dificuldades". Consegui fazer meus documentos, tinha que ir lá na policia federal, mas ele falaram que era pelo site entrei no site não entendi nada, paguei para alguém 150 reais só para agendar tudo para mim, e deu tudo certo".

"Comecei a dar entrevista na Rede Vida, Rede Tv, Globo, SBT, Record, Veja, IstoÉ, Agora. Comecei a fazer um documentário na Gazeta, GNG e Cultura. Duas semana atrás estava na Fátima Bernardes. Em 2015, recebi a noticia que meu Pai havia falecido na guerra, e uma das minha irmãs tinha perdido uma perna devido á uma bomba em Alepo. Hoje devido á guerra uma irmã está no Canadá, outra na Alemanha, outra no Iraque, outra na Turquia, outra no Líbano. Minha mãe está na Síria com minha irmã, não conseguiram sair. Hoje faz três anos e pouco, que não os vejo, sou palestrante da cultura árabe, guerra na Síria, e sobre trata um refugiado. Dei palestra em faculdades muito importantes como: USP, PUCC, Mackenzie e etc.... Dei palestra junto com Eduardo Suplicy em escola tanto púbica quanto particulares. Atualmente sou coordenador da Copa dos Refugiados no Brasil, vice presidente da ONG (África do Coração)”.

"Trabalhei como motorista, mandei 150 currículos ninguém me chamou, montei um banda árabe, canto no SESC, fiz comida no SESC de Osasco. Trabalhei no UBER, trabalhei com eventos, hoje em dia faço um pouco de tudo para sobreviver".

"Tenho contatos, minha mãe que está em Alepo infelizmente não consegui falar devido á guerra, mas minhas irmãs que estão fora eu falo. Falo com alguns amigos, como já disse muitos já morreram. Não tenho mais parentes, tios, tias, avós e avós morreram".


"Em 2018, como machuquei meu corpo na guerra, queria cuidar da minha saúde, quero fazer um livro chamado "Filho de Alepo", sobre minha história. Quero fazer uma empresa, restaurante, eu sou pobre, mas tenho foco e determinação e se deus quiser meu sonho será realizado aqui em São Paulo".

Texto: Victor Miceli
Entrevistador: Darques Junior
Fonte: Henrique Pierri


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